quarta-feira, 1 de julho de 2009

"Trabalho há mais de 30 anos com escola que não tem aula, série e

"Trabalho há mais de 30 anos com escola que não tem aula, série e
prova, e dá certo", diz educador português

Simone Harnik
Em São Paulo

http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/06/30/ult105u8320.jhtm

Idealizador da Escola da Ponte, em Portugal, instituição que, em 1976,
iniciou um projeto no qual os estudantes aprendem sem salas de aula,
divisão de turmas ou disciplinas, o educador português José Pacheco
afirma que as escolas tradicionais são um desperdício para os
estudantes e os professores.

"O que fiz por mais de 30 anos foi uma escola onde não há aula, onde
não há série, horário, diretor. E é a melhor escola nas provas
nacionais e nos vestibulares", diz. "Dar aula não serve para nada. É
necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito
tempo e muita reflexão."


Aos 58 anos, o professor que classifica autores como Jean Piaget como
"fósseis", fez uma peregrinação pelo país. No trabalho de prospecção
de boas iniciativas em colégios brasileiros, Pacheco só não conheceu
instituições do Acre e do Amapá e diz ter somado cerca de 300 voos no
último ano.

Com a experiência das viagens, escreveu dois livros de crônicas: o
"Pequeno Dicionário de Absurdos em Educação", da editora Artmed, e o
"Pequeno Dicionário das Utopias da Educação", da editora Wak. Aponta
ainda que a educação brasileira não precisa de mais recursos para
melhorar: "O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os recursos e os
desperdiça". Veja a entrevista:

O educador português José Pacheco
UOL Educação - Em suas andanças pelo país, qual o absurdo que mais
chamou sua atenção?

Pacheco - O maior absurdo é que a educação do Brasil não precisa de
recursos para melhorar. O Brasil tem tudo o que precisa, tem todos os
recursos e os desperdiça.

UOL Educação - Desperdiça como?

Pacheco - Pelo tipo de organização. A começar pelo próprio Ministério
da Educação. Eu brinco, por vezes, dizendo que o melhor que se poderia
fazer pela educação no Brasil era extinguir o Ministério da Educação.
Era a primeira grande política educativa.

UOL Educação - Qual o problema do ministério?

Pacheco - Toda a burocracia do Ministério da Educação que se estende
até a base, porque a burocracia também existe nas escolas, à imagem e
semelhança do ministério. No próprio ministério, o contraste entre a
utopia e o absurdo também existe. Conheço gente da máxima competência,
gente honesta. O problema é que, com gente tão boa, as coisas não
funcionam porque o modo burocrático vertical não funciona. É um
desperdício tremendo.

UOL Educação - Como resolver?

Pacheco - Teria de haver uma diferente concepção de gestão pública,
uma diferente concepção de educação e uma revisão de tudo o que é o
trabalho.

UOL Educação - O que teria de mudar na concepção de educação?

Pacheco - O essencial seria que o Brasil compreendesse que não precisa
ir ao estrangeiro procurar as suas soluções. Esse é outro absurdo.
Quais são hoje os autores que influenciam as escolas? Vygotsky [Lev S.
Vygotsky (1896-1934)], Piaget [Jean Piaget (1896-1980)]? Não vejo um
brasileiro. Mas podem dizer: "E Paulo Freire?". Não vejo Paulo Freire
em nenhuma sala de aula. Fala-se, mas não se faz.

Identifiquei, nos últimos anos, autores brasileiros da maior
importância que o Brasil desconhece. Esse é outro absurdo. Quem é que
ouviu falar de Eurípedes Barsanulfo (1880-1918)? De Tomás Novelino
(1901-2000)? De Agostinho da Silva (1906-1994)? Ninguém fala deles.
Como um país como este, que tem os maiores educadores que eu já
conheci, não quer saber deles nem os conhece?

Há 102 anos, em 1907, o Brasil teve aquilo que eu considero o projeto
educacional mais avançado do século 20. Se eu perguntar a cem
educadores brasileiros, 99 não conhecem. Era em Sacramento, Minas
Gerais, mas agora já não existe. O autor foi Eurípedes Barsanulfo, que
morreu em 1918 com a gripe espanhola. Este foi, para mim, o projeto
mais arrojado do século 20, no mundo.

UOL Educação - O que tinha de tão arrojado?

Pacheco - Primeiro, na época, era proibida a educação de moços e moças
juntos. Só durante o governo Getúlio Vargas é que se pôde juntar os
dois gêneros nos colégios. Ele [Barsanulfo] fez isso. Ele tinha
pesquisa na natureza, tinha astronomia no currículo oficial. Não tinha
série nem turma nem aula nem prova. E os alunos desse liceu foram a
elite de seu tempo. Tomás Novelino foi um deles e Roberto Crema, que
hoje está aí com a educação holística global, foi aluno de Novelino.

UOL Educação - Por que o senhor fala desses autores?

Pacheco - Digo isso para que o brasileiro tenha amor próprio,
compreenda aquilo que tem para que não importe do estrangeiro aquilo
que não precisa. É um absurdo ter tudo aqui dentro e ir pegar lá fora.

UOL Educação - Qual foi a maior utopia que o senhor viu?

Pacheco - O Brasil é um país de utopias, como a de Antônio Conselheiro
e a de Zumbi dos Palmares. Fui para a história, para não falar em
educação. Na educação, temos Agostinho da Silva, que é um utópico
coerente, cuja utopia é perfeitamente viável no Brasil. Ou seja, é
possível ter uma educação que seja de todos e para todos. O Brasil,
dentro de uns 30 ou 40 anos, será um país bem importante pela
educação. São os absurdos que têm de desaparecer, para dar lugar à
concretização das utopias. Acredito nisso, por isso estou aqui.

Pacheco ministra curso no colégio Pueri Domus, na zona sul da capital
UOL Educação - Os professores são resistentes às mudanças?

Pacheco - Os professores são um problema e são a solução. Eu prefiro
pensar naqueles professores que são a solução, conheço muitos que
estão afirmando práticas diferentes.

UOL Educação - Práticas diferentes como a da Escola da Ponte?
Pacheco - Não são "como", mas inspiradas, com certeza. São práticas
que fazem com que a escola seja para todos e proporcione sucesso para
todos.

UOL Educação - Dentro da escola tradicional, onde ocorre o desperdício
de recursos?

Pacheco - Se considerarmos o dinheiro que o Estado gasta por aluno,
daria para ter uma escola de elite. Onde o dinheiro se desperdiça? Por
que em uma escola qualquer, que tem turmas de 40 alunos, a relação
entre o número de professores e de alunos é de um para nove? Por que
os laudos e os atestados médicos são tantos? Porque a situação que se
criou nas escolas é a do descaso. Esse é um absurdo.

UOL Educação - Onde mais ocorre o desperdício nas escolas?

Pacheco - O desperdício de tempo também é enorme em uma aula. Pelo
tipo de trabalho que se faz, quando se dá aula, uma parte dos alunos
não tem condições de perceber o que está acontecendo, porque não têm
os chamados pré-requisitos, e se desliga. Há um outro conjunto de
crianças que sabem mais do que o professor está explicando - e também
se desliga. Há os que acompanham, mas nem todos entendem o que o
professor fala. Em uma aula de 50 minutos, o professor desperdiça
cerca de 20 horas. Se multiplicarmos o número de alunos que não
aproveitam a aula pelo tempo, vai dar isso.

O desperdício maior tem a ver com o funcionamento das escolas. Os
professores são pessoas sábias, honestas, inteligentes e que podem
fazer de outro modo: não dando aula, porque dar aula não serve para
nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo,
muito tempo e muita reflexão.

UOL Educação - As famílias não estão acostumadas com escolas que não
têm classe, professor ou disciplinas. Querem o conteúdo para o
vestibular. Como se rompe com esse tipo de mentalidade?

Pacheco - Pode-se romper mostrando que é possível. Eu falo do que
faço, e não de teorias. O que fiz por mais de 30 anos foi uma escola
onde não há aula, onde não há série, horário, diretor. E é a melhor
escola nas provas nacionais e nos vestibulares. Justamente por não ter
aulas e nada disso.

UOL Educação - Por que uma escola que não tem provas forma alunos
capazes de ter boas notas em provas e concursos?

Pacheco - Exatamente por ser uma escola, enquanto as que dão aulas não
são. As pessoas têm de perceber que não é impossível. E mais, que é
mais fácil. Posso afirmar, porque já fiz as duas coisas: estive em
escolas tradicionais, com aulas, provas, com tudo igualzinho a
qualquer escola; e estive também 32 anos em outra escola que não tem
nada disso. É mais fácil, os resultados são melhores.

UOL Educação - Na concepção do senhor, o que é uma boa escola?

Pacheco - É a aquela que dá a todos condições de acesso, e a cada um,
condições de sucesso. Sucesso não é só chegar ao conhecimento, é a
felicidade. É uma escola onde não haja nenhuma criança que não
aprenda. E isso é possível, porque eu sei que é. Na prática.

UOL Educação - O professor que está em uma escola tradicional tem
espaço para fazer um trabalho diferente? O senhor vê espaço para isso?

Pacheco - Não só vejo, como participo disso. No Brasil, participei de
vários projetos onde os professores conseguiram escapar à lógica da
reprodução do sistema que lhe é imposto. Só que isso requer várias
condições: primeiro, não pode ser feito em termos individuais;
segundo, a pessoa tem de respeitar que os outros também têm razão. Se,
dentro da escola, os processos começam a mudar e os resultados
aparecem, os outros professores se aproximam. Não tem de haver
divisionismo.

UOL Educação - O senhor acha que a mudança na estrutura da escola
poderia partir do poder público ou depende da base?

Pacheco - Acredito que possa partir do poder público, mas duvido que
aconteça. As secretarias têm projetos importantes, mas são de quatro
anos. Uma mudança em educação precisa de dezenas de anos. Precisa de
continuidade. E isso é difícil de assegurar em uma gestão. Precisa
partir de cada unidade escolar e do poder público juntos.

--
João Telésforo Medeiros Filho

http://twitter.com/JoaoTelesforo

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Uma homenagem

Como se trata de um blog relacionada a Pedagogia e Emancipação, nada mais justo do que fazer uma pequena homenagem ao maior defensor do tema. O Grande Mestre Paulo Freire. Uma pequena colaboração da sua grande obra, com certas doses políticas e educacionais na busca de uma consciência do "ser".

"Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão".

Paulo Freire

"A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tão pouco a sociedade muda."
Paulo Freire

"Mudar é dificil mas é possivel".

Paulo Freire

"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade."
Paulo Freire

"A humildade exprime, uma das raras certezas de que estou certo: a de que ninguém é superior a ninguém."

Paulo Freire

"É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática."
Paulo Freire

"A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria."
Paulo Freire

"As terríveis conseqüências do pensamento negativo são percebidas muito tarde."
Paulo Freire

"Ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar sua coragem de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanha pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina."
Paulo Freire


Certamente que não será a ultima postagem aqui, pois a cada nova escrita nessa novo conhecimento uma nova marca na vida.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA E EDUCAÇÃO ABERTA

Por Elaine Rocha, Givanildo de Carvalho, Marcelo Dobrovoski, Myrian Fiorani e Waldirene Lodi.

Com a informatização e as facilidades que a mesma proporciona em nossas vidas, tornou-se muito comum as discussões em torno da Educação à Distância.

A educação a distância foi um grande passo para a democratização do conhecimento intelectual, oportunizando o acesso ao ensino de forma mais fácil. Seu início foi marcado no século XVIII, quando um jornal dos Estados Unidos enviava as matérias anexadas ao mesmo. Porém, existem controvérsias sobre o surgimento dessa modalidade, pois alguns pesquisadores relatam que seu início foi em 1881, pela Universidade de Chicago, através do curso de língua hebraica, e outros consideram seu surgimento em 1890, na Alemanha, ambos por correspondência.

No Brasil, o ensino a distância apareceu somente nos anos sessenta, as aulas eram transmitidas por rádio, com algum material impresso. O Instituto Universal Brasileiro e o Instituto Monitor foram os maiores responsáveis pelo ensino a distância no Brasil, com uma gama maior de cursos, como técnico em eletrônica, secretária, técnico em contabilidade dentre outros. Tivemos também os cursos supletivos, que tiveram grande aceitação da população que optou por essa formação.

Em 1986, com a criação das Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional, demos um grande salto na Educação à Distância, pois nesse período constituíram-se os primeiros cursos de nível superior, já regulamentados pelo MEC.

O advento das tecnologias de informação e comunicação – TIC trouxe novas perspectivas para a educação a distância, devido às facilidades de design e produção sofisticados, rápida emissão e distribuição de conteúdos, interação com informações, recursos e pessoas. Assim, universidades, escolas, centros de ensino e organizações empresariais oferecem cursos a distância através de recursos telemáticos, os quais podem assumir distintas abordagens. Conforme Prado e Valente [9] (2002, p. 29) as abordagems de EaD por meio de redes telemáticas podem ser de três tipos: broadcast,
virtualização da sala de aula presencial ou estar junto virtual.

COERÊNCIA EPISTEMOLÓGICA E PRÁTICA

Para alcançar a supremacia pedagógica em Educação Aberta é preciso coerência entre epistemologia, design e programação. É o que defendeu Beatriz Fainholc, da National University of La Plata, que ministrou a palestra "Collaboration Towards Creating Capaciteis Through ICT Distance Education Progrmas: a search for epistemological coherence between their design and its practice".

Para alcançar esta coerência, é preciso haver o diálogo constante entre designers, tutores e programadores. Deixar bastante explícito os fundamentos epistemológicos e tecnológicos. "É preciso estar claro que se quer fazer e o que é possível implementar, aliar expectativa, planejamento e o que é possível", frisou Beatriz.

Além disso, segundo ela, é preciso levar em consideração: a perspectiva sócio-cognitiva para entender, construir e pesquisar interações sociais dos estudantes com os equipamentos tecnológico analisar e escolher propostas educacionais de acordo com o cenário sócio-cultural e a diversidade de autores respeitar a diversidade, e aplicar diferentes alternativas para solucionar problemas complexos.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Conhecimento Virtual - o que é?

Por Elaine Rocha Amaral, Givanildo de Carvalho, Marcelo Dobrovoski, Myrian Zandomenico, Waldirene Lodi.

Entendemos por conhecimento virtual uma realidade a olho nu que é uma coisa. Outra coisa é vê-la com o auxilio de ferramentas tecnológicas, pois podemos obter resultados muito surpreendentes.

Jamais podemos colocar o mundo virtual como algo fantasioso, que fica distante da realidade. Assim desse modo, coloca que é necessário o mundo virtual como auxilio, não deixando o mundo real, mas fazendo com que se complemente. Tanto que podem nos fazer ver de novo, e inventar novos olhares de que certamente não saber fazer. O conhecimento desse mundo abre "certas portas" as novas tecnologias é imprescindível para utilização dos mesmos com responsabilidade.

Assim sabemos que devemos ter claro que o virtual não nega ao físico, o mundo físico e o virtual são complementares da mesma realidade, a interação possível no mundo virtual não substitui a física, mesmo assim não é inferior nem superior, é apenas de outra natureza, se a mente faz parte do corpo, este também faz parte da mente.

Quando falamos em realidade virtual, não se trata de uma nova realidade, mas parte de uma realidade já existente, exibida para o mundo através da Internet. Estamos dentro de uma ampla rede de informações não palpável, mas sem menor chance de fugir.

Portanto, ter uma conceito elaborado sobre o conhecimento virtual vai depender do olhar de cada indivíduo. Devemos levar em considerações cade contexto social-histórico de cada ser. Fazendo algumas pesquisas pelo "mundo virtual" encontramos em alguns Blogger ou Foruns sobre o tema, algumas definições importante como no trecho a seguir:

O conhecimento no mundo virtual é como uma bússola de orientação rumo ao futuro: que nos permite aprender a conhecer,aprender a fazer, e aprender a viver juntos contribuindo e participando de uma comunidade virtual! Vencendo o medo de enfrentar o novo ,encarando as dificuldades que encontramos.Porque juntos somos fortes!
Alaides Nascimento Nunes Pereira.


Portanto cuidado com o conceito pré-estabelecido sobre o tema proposto. Pois o mundo pode ser bem diferente daquilo que esta perto de você.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

MEC vai ampliar exigências para cursos de Pedagogia

Foco nos cursos de Pedagogia é uma das tentativas do ministério de melhorar a formação dos professores

Lisandra Paraguassú escreve para “O Estado de SP”:

O Ministério da Educação vai apertar o processo de fiscalização dos cursos de Pedagogia. Na esteira do lançamento do Sistema Nacional de Formação de Professores, o governo quer ter certeza de que os cursos estão preparando os estudantes para ensinar, e não para administrar escolas ou fazer pesquisa.

A partir de agora, o documento de fiscalização que será usado para autorizar novos cursos e manter os antigos exigirá laboratórios de informática e ensino, brinquedotecas e contato dos alunos com escolas desde o primeiro ano.

O foco nos cursos de Pedagogia é uma das tentativas do ministério de melhorar a formação dos professores. Hoje, apesar de quase 70% dos docentes brasileiros terem curso superior completo, apenas 61,7% têm licenciatura. São 330 mil atuando sem formação adequada - 17,5% do total. A maior parte no ensino fundamental.

"É ruim a formação, mesmo daqueles professores que têm curso superior", disse ao Estado o ministro da Educação, Fernando Haddad. "Por isso estamos homologando o instrumento de autorização de cursos de Pedagogia. Vamos alterar a metodologia de autorização e reconhecimento de cursos."

Uma das principais intenções do ministério é transformá-los em cursos de formação de professores, o que hoje nem sempre acontece. "Muito curso não se dá conta de que a sua parte principal precisa ser a formação de professores. A gestão escolar é secundária", explica a secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Paula Dallari. "O documento de supervisão vai deixar claro que o foco é formar professores para as séries iniciais e a pré-escola."

Um curso com bons resultados precisará ter, por exemplo, um laboratório de informática conectado à internet com pelo menos um computador para cada 30 alunos. Deverá ter biblioteca com toda a bibliografia dos dois primeiros anos com pelo menos um exemplar para cada seis alunos. E uma brinquedoteca onde possam ser testadas atividades lúdicas a serem praticadas com crianças da pré-escola.

São exigências óbvias, mas que não são seguidas por várias instituições. Por não ser um curso altamente tecnológico, Pedagogia está entre aqueles em que faculdades são criadas apenas com o antigo quadro-negro, salas de aula e professores.

Além da infraestrutura, o ministério quer concentrar a carga horária na formação de professores, com aulas teóricas e práticas - 70% das horas-aula terão de ser nessa área, e cada curso precisará ter integração com escolas estaduais e municipais da região.. Parte do projeto pedagógico do curso deverá indicar as escolas estaduais e municipais com as quais a instituição vai trabalhar e prever melhorias nos seus projetos e resultados, com a colaboração dos estudantes do curso.

No início deste ano, o MEC iniciou um processo de supervisão de 60 cursos de Pedagogia que tiveram notas 1 e 2 no Exame Nacional de Desempenho do Estudante. Desses, 20 estão em processo de extinção por não terem condições de se adequar às exigências. Os demais estão sob um protocolo que dá prazo de um ano para que as modificações sejam feitas.

O censo do professor, divulgado ontem pelo MEC, mostra que 61,7% dos professores que atuam na educação básica têm curso superior e licenciaturas. Mas 25,2% têm apenas o magistério de ensino médio e outros 5,5% o ensino médio regular. Mais de 15 mil têm apenas o ensino fundamental e, mesmo assim, parte deles dá aulas para crianças de 5ª a 8ª série e mesmo no ensino médio.

Nas creches é onde são encontrados professores totalmente despreparados em maior número: 13% deles têm apenas o ensino fundamental ou o médio sem magistério.
(O Estado de SP, 29/5)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Dados do MEC apontam queda no número de formandos

Dados do MEC apontam queda no número de formandos; perfil dos que
buscam profissão também mudou

Cada vez menos alunos têm se interessado pela carreira de
professor no Brasil, o que vem resultando em uma queda no número de
formandos em cursos de licenciatura. Essa redução vai na contramão do
crescente número de estudantes cursando graduação no País - hoje em
cerca de 5 milhões.

Em 2007, último dado disponível no Ministério da Educação (MEC),
70.507 brasileiros se formaram em cursos de licenciatura, o que
representa 4,5% menos do que no ano anterior. De 2005 a 2006, a
redução foi de 9,3%. E a situação é mais complicada em áreas como
Letras (queda de 10%), Geografia (menos 9%) e Química (menos 7%). Em
alguns Estados, faltam professores de Física, Matemática, Química e
Biologia.

A essa diminuição na procura pela profissão, soma-se o fato de 30% dos
docentes não terem curso superior completo, segundo o censo do
professor, divulgado na última semana (mais informações nesta página).

Apesar de o rendimento médio da categoria ser de R$ 1.335 mensais,
pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, não é
somente uma questão de baixos salários. "É fundamental tornar a
carreira de professor mais atrativa", defende Carlos Bielschowsky,
secretário de Educação a Distância do MEC. A partir de 2010, entra em
vigor o piso salarial nacional da categoria.

Em todo o País, as universidades públicas e particulares assistem a
uma mudança do perfil do aluno que escolhe o magistério. Os filhos da
classe média se desinteressaram pela carreira e estão dando lugar aos
de famílias das classes C e D.

Na Universidade Estadual do Rio, por exemplo, os candidatos a uma vaga
em Pedagogia apresentaram a menor renda familiar entre todos os
cursos. Dos 300 alunos aprovados em Pedagogia no vestibular do ano
passado, 107 têm renda mensal de até R$ 1.200. Apenas um deles tem
renda acima de R$ 12 mil. Em Direito, o quadro é exatamente o inverso.
Três aprovados têm renda familiar de até R$ 1.200 e 29 vivem em
família com renda acima de R$ 12 mil.

"Ninguém quer ser professor hoje em dia", resume Augusto Sampaio,
vice-reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio. Sampaio fala
especificamente do público alvo da instituição: jovens de classe média
cujos pais podem pagar mensalidades de R$ 1.500 para seus filhos se
tornarem advogados, médicos, engenheiros. Os cursos de licenciatura na
PUC são deficitários. Só não fecharam porque a universidade adotou há
13 anos um sistema para acolher alunos provenientes de cursos
pré-vestibulares da periferia carioca. Não é um sistema de cotas.
"Eles fazem o vestibular normalmente e, se forem classificados, ganham
bolsas de estudo", diz Sampaio.

A grande maioria vai para Serviço Social, Pedagogia e Licenciaturas,
cursos onde sobram vagas. "A maioria dos alunos de Pedagogia tem
bolsa." Não é meramente uma questão financeira. "Existe um
desprestígio muito grande da profissão", diz Maria Tereza Goulart
Tavares, diretora de faculdade de formação de professores.

Marcel Baran, de 19 anos, foi o contrário. Filho de comerciante e
professora de educação física, ele escolheu cursar licenciatura em
história, mas enfrentou resistência. Os amigos foram mais radicais.
"Cara, tá maluco? Tinha tudo para se dar bem numa profissão bacana e
vai ser professor?!", relata ele. "Meus amigos não entendem a minha
escolha porque para eles o que importa é a realização financeira. Eu
não quero isso", explica Marcel. "De todas as profissões que eu
poderia escolher, a que eu dou mais valor é o magistério."

Rede pública

Os baixos salários podem afugentar as classes A e B, mas a garantia de
emprego, principalmente em escolas da rede pública, atrai as classes
populares. A mudança de perfil do aluno de licenciatura mexeu com a
própria estrutura dos cursos. Grande parte dos candidatos a professor
vem do ensino público, que no último Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) teve 47 de nota média, contra 60,3 das escolas particulares.

O MEC admite que os alunos têm chegado à faculdade com deficiências de
aprendizado. "Precisamos fazer um colchão de acomodação para não criar
na universidade pública uma exclusão social", defende Bielschowsky.

Uma dessas deficiências foi constatada entre alunos do curso de
licenciatura em matemática, que apresentavam dificuldades elementares.
Criou-se, então, uma disciplina de pré-cálculo. Não resolveu. "Fizemos
então o cálculo menos um para recuperar o conteúdo ensinado do 6º ao
9º ano do ensino fundamental e o do ensino médio. Alguns alunos
ficaram pelo caminho. Outros conseguiram se formar", diz Bielschowsky.

Quem não atinge o nível desejado de conhecimento é reprovado. "Em
hipótese alguma podemos deixar cair a qualidade da licenciatura. Ao
contrário. Ela tem que melhorar", defende Bielschowsky. Para tentar
avançar na qualidade dos cursos de Pedagogia, o governo federal
anunciou na quinta-feira que pretende apertar o processo de
fiscalização dessa área. A partir de agora, o documento de
fiscalização que será usado para autorizar novos cursos e manter
antigos vai exigir laboratórios de informática e ensino, além de
contato com alunos desde o 1º ano da graduação.

"Não podemos colocar o aluno que tem dificuldade numa posição
inferior. Fazemos um trabalho que supera isso", diz Helena Amaral da
Fontoura, coordenadora do mestrado em Educação da Uerj, em São
Gonçalo. "Nós não pensamos em formação de professor pobre para aluno
pobre. Nosso aluno vai a congressos, até mesmo fora do País,
apresentar seus trabalhos com tudo pago pela universidade", defende
Ana Cléa Moreira Ayres, coordenadora de graduação da Uerj.

Nem todas as universidades conseguem fazer esse resgate de conteúdo. A
Secretaria da Educação do Rio abriu concurso para formar um cadastro
com 15 mil professores. Apareceram 76.833 candidatos, mas só 12.312
foram aprovados. As 2.688 vagas não foram preenchidas porque a
secretaria aumentou o nível de exigência. Os candidatos teriam que
acertar, na prova de língua portuguesa e interpretação de texto, 15
das 25 questões, o que equivale a nota 6. Em conhecimentos pedagógicos
e nos específicos de cada disciplina deveriam acertar a metade. "Não
se pode culpar as universidades sérias por esse quadro", diz Sueli
Camargo Ferreira, subcoordenadora de apoio à prática pedagógica da
Universidade Federal Fluminense.

Em São Paulo, a região do Campo Limpo, na zona sul, é a que mais perde
professores todos os anos e também onde é mais difícil repô-los. Entre
os motivos apontados por especialistas, além do estigma da violência,
está a falta de faculdades de Pedagogia e licenciatura em comparação
com outros bairros.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

História da Tecnologia

A história da tecnologia é a história das ferramentas e das técnicas úteis para fazer coisas práticas. Relaciona-se intimamente com a história da ciência, que inclui a maneira como os seres humanos adquiriram o conhecimento básico necessário para construir coisas úteis. Os esforços científicos, especialmente nos tempos modernos, dependeram em regra de tecnologias específicas que permitiram aos seres humanos sondar a natureza do universo, de forma mais precisa do que a permitida pelos nossos sentidos. Os artefatos tecnológicos são produtos de uma economia, são uma força para o crescimento económico e constituem uma parte importante da nossa vida cotidiana. As inovações tecnológicas afetam e são afetadas pelas tradições culturais de uma sociedade. Elas são igualmente uma forma de desenvolver e projectar o poderio militar.

CURIOSIDADES:
Fogo, usado desde o paleolítico, possivelmente pelo homo erectus há 800.000 anos.
Ferramentas de pedra, criadas possivelmente há 100.000 anos.
Arco, funda, ca. 9.º milénio a.C.
Cobre, 8.000 a.C.
Agricultura, 8.000 a.C.
Roda, 4.000 a.C.
Escrita. 3.500 a.C.
Bronze, 3.300 a.C.
Ferro, 1.500 a.C.
Catapulta, 400 a.C.
Ferradura, 300 a.C.


Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_tecnologia