Segundo a visão da Escola de Frankfurt, quando certo meio é utilizado persistentemente pra certo fim, ou é alocado pela sociedade sempre muito próximo de certo fim, acaba-se confundindo-se com o fim, tornando-se ideológica a justificativa de que seria mero meio.Como poderia ser o caso da energia atômica, das armas de fogo vendidas às pessoas comuns, dos defensivos agrícolas.
Não podemos confundir, pois a fantasia é parte absolutamente integrante da realidade humana. O virtual é distante, no sentido de que não está fisicamente presente, mas nem por isso é ausente. Ao contrário, é presença, por vezes até mais marcante e eletrizante como a internet.
Na característica mediata do conhecimento, na problemática de que no mundo virtual não fosse possível reconstruir o conhecimento, a presença física não pode ser simplesmente ignorada, mas levada em consideração como exigem professores que usam a aula presencial para disciplinar alunos, já que a presença virtual está se vulgarizando, tornando-se cada dia mais inoportuno fazer distinções estanques entre mundos físicos e virtuais. Virtual seria a como próprio autor destaca:
Ver a realidade a olho nu é uma coisa. Outra coisa é vê-la com o auxilio de ferramentas tecnológicas, pois podemos obter resultados muito surpreendentes.
Assim desse modo, coloca que a necessário o mundo virtual como auxilio, não deixando o mundo real, mas fazendo com que se complemente. Tanto que podem nos fazer ver de novo, e inventar novos olhares de que certamente não saber fazer.
Teoricamente comunicação seria troca de informação. O conhecimento, o ciberespaço, a internet proporciona-nos grandes possibilidades, sendo um universo complexo e surpreendente, porém toda esta complexidade de informações, de recursos, são passiveis de falsificações e manipulações o que os tornam uma arma perigosa, quando mal utilizada.
O ciberespaço dilui fronteiras, naturalmente globaliza as mensagens, podendo incidir no problema oposto de confundir a globalização com homogeneização, ou com dolarização da cultura. Conhecimento e informação estão entre as mercadorias mais competitivas do mundo contemporâneo.
A tecnologia nos abre horizontes de oportunidades, mas recrudesce o desafio ético em todos os sentidos: a desinformação facilita as manobras, principalmente para falsificações e manipulações.
O conhecimento das tecnologias, do ciberespaço é imprescindível para utilização dos mesmos com responsabilidade. Ainda há certa resistência às tecnologias, ao diferente, ao novo, porém devemos eticamente apontar limitações, deturpações, manipulações, para que potencialidades humanas tanto se tornem visíveis e preserváveis.
Ao mesmo tempo em que temos um crescente avanço tecnológico, o ser humano desenvolve-se, se aprimora e, principalmente no que diz respeito à inteligência avança num ritmo frenético.
Devemos ter claro que o virtual não nega ao físico, o mundo físico e o virtual são complementares da mesma realidade, a interação possível no mundo virtual não substitui a física, mesmo assim não é inferior nem superior, é apenas de outra natureza, se a mente faz parte do corpo, este também faz parte da mente.
Analisar essa dubiedade, sem pautar as duas realidades, torna-se impossível uma compreensão clara da telepistemologia proposta pelo autor, se ficarmos procurando diferenças entre o real e o virtual, vamos cair em dicotomias cíclicas, até concluímos que uma é nada menos que o complemento da outra.
A telepistemologia muito debatida por Pedro Demo, resume o processo de conhecimento reconstruído a distância, em particular no mundo virtual da Internet. Ele questiona alguns efeitos da novas mídias na obra – Conhecimento e Aprendizagem na Nova Mídia – (p. 80), tais como: dificuldades de estabelecer parâmetros mais eqüitativos de acesso, manipulação de públicos vulneráveis, sobretudo de crianças, falsificações ainda subliminares, manobras manipulativas crescentes e sofisticadas e, em particular, a desinformação manejada habilmente pela informação truncada. Sugere, frente a tudo isso, uma tele-educação que supere o simples repasse de informações, ou seja, que seja uma educação que confira ao aluno o esforço árduo da aprendizagem reconstrutiva, e ao professor a necessidade de reconstrução de conhecimento próprio.
Quando falamos em realidade virtual, não se trata de uma nova realidade, mas parte de uma realidade já existente, exibida para o mundo através da Internet. Estamos dentro de uma ampla rede de informações não palpável, mas sem menor chance de fugir.
O conhecimento virtual por sua vez é idealizado demais porque faz da distância um problema que necessariamente não precisa ser comprometedor, como se no mundo da Internet, por exemplo, já não fosse possível reconstruir conhecimento. A distância certamente aumenta as incertezas, mas não às inventam, por que o palpável também é incerto.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
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